Era uma vez, numa cidade onde os problemas brotavam mais rápido que flores em praça pública, uma prefeita teve uma grande revelação: se a gestão estava turbilhada, bastava iluminar a cidade.
E assim foi feito. Enquanto secretarias viviam no escuro, projetos emperravam nas gavetas e aliados cochichavam pelos corredores, a prefeita decidiu acender milhares de luzes de Natal. Pisca-pisca pra cá, renas infláveis pra lá, árvore gigante no centro da cidade. A ordem era clara: quanto mais brilho, menos perguntas.
A cada crítica, uma nova extensão elétrica. A cada cobrança por saúde, e infraestrutura, mais um cordão de luz piscando em ritmo acelerado, quase como se dissesse: “olha pra cima e esquece o chão esburacado”.
A prefeita, vestida de heroína natalina, aparecia sorridente nas fotos, apontando para o céu iluminado, como se dissesse ao povo: “Tá vendo? Tá tudo lindo!”. Só esqueceram de avisar que luz não resolve gestão, brilho não tapa buraco e decoração não substitui planejamento.
E assim, enquanto a cidade brilhava por fora, a administração continuava apagada por dentro.
Moral da história? Nem toda cidade iluminada está no caminho certo — às vezes é só tentativa de ofuscar o caos. 🎄✨
