Ao completar quase um ano à frente da Prefeitura de Lages, a atual administração já enfrenta um cenário que costuma aparecer apenas em governos no fim do mandato: desgaste interno, desânimo no secretariado e uma evidente perda de rumo administrativo.
Nos bastidores do Paço, o clima está longe de ser harmônico. Secretários demonstram desmotivação, alguns já contam os dias para sair e outros permanecem apenas por falta de alternativa. Falta autonomia, sobra cobrança e a sensação geral é de que as decisões não seguem um planejamento claro, mas sim impulsos e tentativas de apagar incêndios.
A relação interna também chama atenção. O vice-prefeito, que deveria atuar como parceiro político e institucional, segue sendo um adversário ácido, sem gabinete e praticamente odiado na gestão. Um símbolo claro de uma administração que não consegue nem organizar sua própria estrutura de poder, quanto mais entregar resultados sólidos à população.
Enquanto isso, a prefeita parece apostar em uma postura de “super-heroína”, centralizando decisões, assumindo para si todos os holofotes e tentando vender a imagem de que resolve tudo sozinha. O problema é que gestão pública não se faz com marketing pessoal, muito menos com discursos grandiosos. Se faz com equipe forte, planejamento, diálogo e humildade — itens que, até aqui, parecem faltar.
A soberba, apontada por aliados e críticos, cobra seu preço cedo. A base política dá sinais de desgaste, a confiança interna se esvai e a cidade sente os reflexos de uma administração perdida, que ainda não mostrou a que veio.
Com apenas um ano de governo, Lages já vive um cenário preocupante: desgaste antecipado, conflitos internos e uma gestão que parece mais preocupada em construir uma narrativa heroica do que em resolver, de fato, os problemas reais da população. Se nada mudar, o risco é alto de que os próximos anos sejam ainda mais turbulentos.
